De Papo Comigo

Cuidado, você está engordando, hein!

gorda

Por: Helô de Castro

Qualquer um que tenha engordado(e nem precisa ser muito), já teve que ouvir, de pessoas não íntimas, o alerta sobre o fato de estar ganhando peso e, ainda, completam com a pergunta “o que está acontecendo?”, dando a entender que algum problema psicológico e emocional terrível seja a causa dos quilos a mais. Tal colocação é:

1- Desnecessária(pois é claro que o indivíduo sabe que está engordando… ele tem espelho!… e roupas que vão diminuindo),

2- Maldosa(coloca o sujeito para baixo),

3- Crítica(sugere que a pessoa não está se cuidando bem, não tá com a autoestima boa, está fugindo do padrão aceito),

4- Controladora(ele precisa ditar o que é bom e certo para o outro),

5- Intrometida(se mete num problema que é unicamente do outro),

6- Mal-educada,

7- Arrogante(o indivíduo, acha que com a sua “sabedoria” está trazendo a luz para o pobre e desgraçado, que está nas trevas da gordura…oh!!!).

Claro, quem fala isso diz que é para o bem da sua vítima… ele só quer ajudar… dar uma força!

Humilhação

Mas se estou escrevendo isto, é para realçar o quanto nós brasileiros* somos brucutus, insensíveis, mentalmente empacotados, miquinhos amestrados, discos arranhados e rasos. Nos deseducamos numa cultura que acha graça humilhar pessoas publicamente, chamando atenção sobre aspectos da aparência alheia.

Nas nossas cidades, pessoas gritam insultos de dentro dos ônibus, dentro das lojas, nas praias, nos parques, nos bares, nos locais de trabalho, nas universidades… não tem como escapar! Para cada humilhação sofrida há uma platéia pronta a colaborar com risos e ofensas, estimulando o agressor a aperfeiçoar seus métodos e se especializar em sua maldade. Por fim, homens e mulheres de qualquer faixa etária e nível social(crianças inclusive), praticam cotidianamente um terrorismo moral, disfarçado de espontaneidade e sinceridade.

O apedrejamento vem também em forma de risinhos, olhares maldosos, deboches, cochichos, tratamentos grosseiros, mau atendimento, “o que é isso?”, “cruz credo!”, “coisa horrorosa”, “puta!”, “viado!”, “que cabelo é esse!”, “que roupa ridícula!”…

A maioria dos brasileiros, ao olhar para o outro, só enxerga a feiúra, a falta de, o excesso de, o torto, o pouco, o esquisito, o desengonçado, o mal-apessoado, o horroroso, o desproporcional, o mal-vestido… Só vê a beleza consentida pelas revistas e pelos programas de TV. O belo é relacionado ao luxo, ao rico, ao liso, ao ao fino, ao chique e a fama, pois se a bela for uma pobre e desconhecida mortal, vão achar defeito!

* Em 10 anos de Holanda, nunca vi um holandês fazer algum comentário direto  sobre o corpo ou aparência de um indivíduo(exceto para elogiar). 

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