Dor existencial: a fome de sentido

Dor-da existência

A racionalidade trouxe ao homem conceitos, crenças, leis, exigências, técnicas a serem aprendidas e aperfeiçoadas e hierarquias a serem respeitadas. Suprir adequadamente as necessidades fisiológicas básicas, como se alimentar, se agasalhar, dormir e transar é fundamental, uma questão de sobrevivência, mas não basta para que o indivíduo se sinta totalmente confortável.

Há um algo a mais que está faltandoum chamado, que quando não atendido gera uma carência incômoda e inexplicável que pode paralisar o sujeito numa impotência depressiva, que o faz se sentir vazio.

A dor existencial

A dor da existência vem e vai assim como a fome, o tesão, o sono, a sede, o frio…

Muitos esperam a sua partida definitiva, acreditando que se trata de um mal temporário, uma doença que precisa ser curada.

Mas, é melhor imaginá-la como um sinal de que temos mais uma necessidade fisiológica: a de encontrar significado; e como as demais, ela vem… nós saciamos… ela passa… ela vem de novo… nós saciamos… ela passa…ela vem de novo… nós saciamos…

A dor existencial é a sinalizadora de que as exigências de um mundo inventado por terceiros (sem nos consultar!) não nos está caindo bem e, assim, partimos para entender os porquês e encontrar as soluções.  

A dor existencial é uma fome de sentido que nunca é definitivamente saciada.

Tudo o que está acima de fisiologia e de segurança(alguns ítens apenas) são expectativas cada vez mais complexas para serem obtidas e podem virar fontes de grande dor, em caso de não se atingir(ou superar) os padrões esperados.

Os atingidos

Não há padrão na dor existencial: ela pode atingir qualquer ser humano em qualquer cultura ou fase da vida. 

Como se manifesta

É uma aflição que mistura tristeza, angústia, vazio, desespero, medos, sentimento de falta de propósito e dificuldade em ver luz no fim do túnel. Sua intensidade e duração podem ir desde pequenos flashes de ansiedade e desânimo até profundas depressões suicidas. Não costuma haver, necessariamente, uma razão específica para acontecer. Não é preciso que o indivíduo passe por traumas, perdas ou carências no exato momento em que é atingido pela dor, embora ela possa ser a manifestação tardia de algum problema do passado ou ser o acúmulo de pequenas frustrações durante um período.

Veja também: Dor existencial em rimas

A culpa é da química cerebral?

Pode ser, mas a questão é: a química cerebral desequilibrada é o que faz com que a pessoa se relacione mal com o ambiente ou são as situações ambientais que fazem com que a química do cérebro se desequilibre?

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Com o que podemos saciar essa dor?

  1. Através da criação, da expressão, do envolvimento em atividades que se gosta muito de praticar, fazendo coisas que tragam ânimo e sentimento de pertencimento(grupos, projetos…).
  2. Estando o mais próximo possível daquilo que se é, e não daquilo que dizem que se é… ou daquilo que esperam que seja.
  3. Se livrando das coisas que oprimem, trazem tristeza, estresse, desgaste. Evitando tarefas que drenem a energia e afastem o indivíduos das situações que lhe são realmente relevantes. Saindo de trabalhos ruins, relações fracassadas, idéias limitantes.
  4. Através de álcool, comida, religião, sexo, antidepressivos(e outros remédios psiquiátricos), ideologias, drogas(cocaína, maconha…),lamúria,raiva, violência,vitimização, ódio…

A dura realidade

Quais das opções acima estão facilmente à disposição da maioria dos mortais?

Apenas o ítem 4 contém os elementos de fácil acesso e realização. Num mundo congelado por sistemas políticos e econômicos, quase nunca é fácil abandonar um trabalho, mudar para a região do planeta que bem desejar ou violar leis e regras que sujeitam o indivíduo a punições. Para alguns, é difícil, até, imaginar que deveriam mudar alguma coisa…