Guerra, um bom negócio

dolares

Muitos vêem questões ideológicas e culturais como a origem das guerras e acreditam que os territórios e riquezas retirados da parte derrotada são todos os lucros que podem ser obtidos; entretanto as vantagens econômicas vão além dos despojos de guerra, e é sobre isso que o major-general do corpo de fuzileiros navais dos Estados Unidos, Smedley D. Butler, falou em seu livro, War is a Racket, escrito no ano de 1935.

Smedley Butler
Smedley Butler

No período da primeira guerra mundial, 21 mil pessoas se tornaram milionários e bilionários nos Estados Unidos. Foram eles: banqueiros; armadores de navios; fabricantes de todo tipo de peças, munições e armas; criadores de gados; donos de frigoríficos; especuladores; companhias químicas e siderúrgicas; indústria alimentícia; fabricantes de tecidos, roupas, sapatos, mochilas etc.

Os exemplos dados pelo autor são comparações dos ganhos das empresas antes da primeira guerra com os lucros adquiridos durante a grande guerra(em dólares):

1- Empresa A -Os ganhos eram de 6 milhões por ano, entre 1910 e 1914. Durante a primeira guerra passou a ser de 58 milhões de dólares; 950% de lucro.

2- Empresa B(uma companhia de aço) – Tinha ganhos de 6 milhões por ano. Durante a guerra passou para 49 milhões. Lucro de 816%.

3- Empresa C(companhia de aço 2) –  lucrava o equivalente a 105 milhões antes da guerra. Passou para 240 milhões no decorrer desta. Lucro de 229%.

4- Empresa D(uma companhia de cobre) – Lucravam 10 milhões por ano antes do conflito. Nos tempos de guerra passaram para 34 milhões. Lucro de 340%.

5- Empresa E(companhia de cobre 2) – pulou de 5 milhões nos dez anos que antecederam a guerra, para 21 milhões durante. Lucro de 420%.

6- Empresa F(companhia de couro) – tinha o lucro anual de 1.176.000,00. Em 1916 seu lucro foi de 15 milhões. 1100% a mais.

7- Empresa G(uma companhia quimíca) – passou do lucro de 800 mil por ano, para 12 milhões. Aumento de 1400%.

8- Empresa H(companhia de nickel) –  tinha um lucro anual de 4 milhões e passou para 73 milhões. Míseros 1700%.

9- Empresa I(companhia de refinamento de açúcar) – saltou de 2 milhões ao ano para 6 milhões.

Enquanto isso, o soldado que ia colocar a sua vida em perigo, ganhava 30 dólares por mês, sendo que, normalmente, metade do salário ficava com a família e 6 dólares eram usados para pagamento de impostos, o que lhes deixavam com somente 9 dólares para sobreviver.

Negociações inescrupulosas, mostravam que o intuito era realmente o benefício econômico de alguns, pois:

  • Foram vendidas milhares de selas para cavalaria, embora o exército americano não tivesse cavalos.
  • Fabricantes de sapatos vendiam botas tanto para os aliados quanto para os inimigos.
  • Venderam 35 milhões de pares de botas para o total de 4 milhões de soldados, o que seria o correspondente a 8 pares por homem, entretanto a maioria dos soldados nunca recebeu nada além de um único par.
  • Foram vendidas 20 milhões de redes para proteção contra mosquitos, que ninguém nunca viu a cor. Depois venderam mais 40 milhões adicionais, embora não tivessem mosquitos na frança.
  • Camisetas que custavam 14 centavos foram vendidas para o governo por 30 ou 40 centavos cada. O mesmo superfaturamento aconteceu com as meias, uniformes, capacetes…
  • 1 bilhão foi gasto na construção de aeronaves que nunca saíram de solo americano.Mas os fabricantes tiveram lucros entre 30 e 300%.
  • Cosntruíram navios feitos de madeira e que não conseguiam flutuar, eles afundaram.
  • Fabricaram carroças especiais para uso dos coronéis, que nunca as utilizaram.
  • Após a guerra, mais de 4 milhões de mochilas e outros utensílios se abarrotaram nas lojas e foram sucateados. Mas os fabricantes já haviam lucrado.

Enfim, poucos ganham em cima de muitos que perdem.

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