Soldados nazistas capturados no fim da guerra

Eles aprontaram! Foram bárbaros, impiedosos e sádicos, mas ao fim da guerra, eles, os soldados alemães, tiveram que encarar o ódio ou a indiferença de seus captores.

Rendidos, eram enviados para grandes áreas rurais cercadas por arame farpado; sem lonas, sem barracas, sem sanitários e superlotados. Eram os campos de concentração gerenciados pelos principais países vencedores.

 

 

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Cair nas mãos dos soviéticos era grande temor do soldado alemão. Mas, engana-se quem pensa que nos campos administrados pelos Estados Unidos a situação tenha sido melhor. Não foi. Vejamos o que encontrou o soldado alemão ao ser aprisionado por:

Americanos/Ingleses/Franceses

  • Havia poucas barracas e a maioria dos soldados ficava ao relento vinte e quatro horas por dia. Chovia, ventava nevava, fazia calor… não importava!
  • Dormiam no chão.
  • Não havia cobertores e nem roupas apropriadas.
  • O soldado permanecia com a mesma vestimenta com que foi capturado durante meses.
  • Não costumavam ter capacetes, casacos e nem jaquetas. Alguns, usavam roupas e sapatos civis. Há até os que foram capturados de pijamas e ficaram assim durante todo o enclausuramento.
  • Havia menores de idade entre os prisioneiros.
  • A higiene era precária. Os banheiros eram buracos na terra, porém insuficientes para um número grande de prisioneiros(havia campos que abrigavam 130 mil homens). Alguns locais do campo eram banhados em urina e, devido a superlotação, muitos soldados tinham que dormir em cima do mijo.
  • Papel higiênico era escasso, o que forçava os soldados a usarem cédulas de dinheiro alemães ou outros improvisos.
  • Faltavam alimentos. Em algumas circunstâncias um pedaço de pão chegava a ser dividido entre vinte e cinco homens.
  • A alimentação básica consistia em três colheres de vegetais, uma colher de peixe, uma ou duas ameixas,  uma colher de marmelada e quatro ou seis biscoitos. A média calórica poderia chegar a 800 calorias.
  • A disenteria, doenças de pele, infecções e todo tipo problema de saúde tornava difícil a situação de quem estava ferido e cansado das batalhas, por isso o número de mortes era elevado.
  • Faltava água. Em algumas ocasiões se chegava a ficar 3 dias sem um gole sequer, o que fez com que muitos bebessem a própria urina.
  • Estima-se que uma média de 60 mil homens morreram em campos administrados pelos Estados Unidos, porém há quem considere que esse número gire em torno de 4.500. Há ainda quem fale em 800 mil.

Soviéticos/Iugoslavos

  • Tudo o que havia de pior nos campos americanos, havia também nos campos soviéticos, porém numa dimensão superior.
  • Dos 3 milhões de homens capturados pelos soviéticos, mais de um terço morreu no cativeiro.
  • Na Iugoslávia, dois em cada cinco prisioneiros morria em função da fome, doenças e das marchas da morte utilizadas como forma de vingança.
  • Ser capturado pelos exércitos do Leste aumentava em 90% a chance de morrer.
  • Os soviéticos odiavam os alemães e pouco se importavam se os prisioneiros eram assassinados, se morriam de fome ou de frio. A vingança era a motivação principal do soldado soviético.
  • Havia propagandas que incentivavam o extermínio dos soldados alemães, classificando-os como sub-humanos(tal qual fizeram os nazistas com relação aos eslavos).
  • O sucesso das propagandas levou a uma série de execuções sumárias, incluindo a dos soldados que haviam se rendido. Muitos prisioneiros eram mortos por diversão ou por terem cometido delitos insignificantes.
  • O soldado alemão não escapava também de ter seus pertences saqueados. Relógios, anéis de casamento, rações de comida, casacos e tudo o que mais pudesse interessar aos russos.
  • As caminhadas até os campos soviéticos eram longas e feitas a pé. O soldado alemão não tinha roupa adequada, comida, água ou suporte médico. Mesmo quando a população tentava dar algum alimento, os soldados soviéticos não permitiam e, na maioria das vezes, destruíam a comida.
  • Era comum que os prisioneiros capturassem ratos para refeição e praticassem canibalismo comendo as vísceras dos parceiros que acabavam de morrer.

As mortes e a volta para a casa

Certamente, esses números estão muito abaixo da realidade. A baixa mortalidade nos campos do Reino Unido pode ter relação com o período curto de enclausuramento. Já na França, a grande mortalidade se deve a escassez de recursos em que o país estava mergulhado.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Os soviéticos liberaram uma parte dos soldados que tiveram bom comportamento em 1950. Já o restante teve as penas suspensas em 1953 ou 1957. Ao retornarem para a casa eram esqueletos ambulantes, doentes, apáticos, famintos, cheios de olheiras e tremores.

Os ingleses liberaram mais de 80% dos prisioneiros no Outono de 1945.

Os americanos só começaram a liberar prisioneiro no Inverno de 1945, pois pretendiam processar judicialmente o máximo de alemães possível, incluindo os de baixa patente e, para isso, os mantiveram por mais tempo para que fossem selecionados.

 

Fonte: Savage Continent de Ian Kershaw